sexta-feira, 16 de julho de 2010

Evento: XV Salão de Artes Plásticas

XV SALÃO REGIONAL ALOYSIO DE AVELLAR CORSINI DE ARTES PLÁSTICAS

Comentário do Blog: A Casa da Cultura está de parabéns pela organização do evento.


















LANÇAMENTO DO LIVRO: "RIR PESAR CHORAR"





Livro de José Keitel Ribeiro









Obra: Manhã de Terça-Feira

Autora: Vanda
Olive



Comentário do Blog: Obra pulsante. O poder do discurso imagético.






Obra: Igreja no frio sereno

Autor: Luiz Sérgio Mafra









Obra: Primavera em Flor

Autora: Tita Simoni










Obra: O Último Asteca

Autor: Bill















Obra: Casario

Autor: Alan Costa









Obra: Pôr do Sol

Autora: Keila Carvalho












Obra: T. Rex

Autor: Fabio Gomes









Obra: Me Toque

Autora: Flávia

Técnica: Colagem de Plástico s/ Papel



Realização: Projeto Solar


Obs: Nem todas as obras aqui expostas tiveram sua exibição autorizada por seus autores. Agradeço a compreensão dos mesmos, pois o objetivo do Blog é divulgar o trabalho desses artistas.

sábado, 10 de julho de 2010

Filmes de ontem e de hoje:


ÚLTIMA PARADA 174
Qual seria o sentido de assistir a um filme em que todos já sabem do trágico desfecho? Quando a pergunta se referia ao hoje piegas Titanic (1997), o resultado foi o sucesso que até a múmia-que-canta Celine Dion desfrutou. Quanto a Carandiru (2002), apenas bons atores e o Santoro, o salvador da pátria, nada mais.
Em Última Parada 174, estão lá os elementos que caracterizaram alguns dos recentes e expressivos filmes nacionais. Drogas, sem o requinte, o glamour modista da geração grunge skatista americana de Kids (1995) de Gus Van Sant, que virou a cabeça de muita gente – jovens locais, inclusive. Drogas e a miséria nua e crua, a favela, o tráfico, prostituição, violência, palavras chulas. Nada de idealismos, de ídolos pop. Estes se foram com a idéia de família. O engajamento aqui é o de ser bom de pontaria aos dez anos de idade. Outro elemento importante: a presença sempre peculiar da Igreja, esta, cuja atividade terapêutica mais uma vez promove transformações e impede a implosão da sociedade em uma completa selvageria e carnificina. Em Carandiru, Central do Brasil (1998), Cidade de Deus (2002) e Linha de Passe (2008), é muito sutil, mas evidente esta função civilizatória, redentora.
O forte roteiro do filme nem precisou do cabide adotado por Tropa de Elite (2007), a saber, um narrador dando sentido às seqüências. Como nas obras de Fernando Meirelles, é a câmera sozinha quem conta a história, e isto basta. E aqui a história é a de dois jovens, em final de adolescência, entendendo-se por meio da linguagem quase gestual que lhes foi legada pela vida em uma cidade grande. O ódio no coração, a língua mordaz, a pele de hematomas.
O Alê da Candelária, conhecido como Alê Beijo, devia dinheiro ao Alê Monstro, o Alê do Comando Vermelho. Os vemos crescer em semelhanças, de idade, orfandade, histórias, e algo mais, muito mais sutil. Quando em certa cena, imortal cena, a mão é estendida ao outro, a cumplicidade entre os dois suplanta as divergências, e o sublime predomina sobre o lamaçal. Para ambos, entretanto, permanece a inaptidão diante das coisas mais simples, como a bondade e a verdade. Qual seria, por exemplo, a utilidade de uma mãe? A lei dos estômagos vazios, do vício, da fuga, da constante fuga e a permanência da idéia do improviso, esta lei diria ser uma oportunidade, não se sabe para que ou até quando, que a novidade de hoje, o eterno e mesmo dia, é preencher as próximas horas de calor com dinheiro, pequenos furtos, talvez homicídios, praia e muito provavelmente mulheres. A urgência do saciar das volições. Esse é o único modo de viver a vida conhecido.
Alê Beijo quer ser amado, quer uma mulher que se importe. Soninha, a tal luz no fim do túnel, não é mais do que poderia ser. Uma companhia para horas vagas, promiscuidade no intervalo das promiscuidades. Como qualquer pessoa com avidez pela vida faria, Alê usufrui todas as possibilidades afetivas viáveis a alguém que tenha seu atribulado histórico. E todas elas, tão escassas, se despedaçam como um copo de vidro, objeto que atua como uma espécie de gatilho em sua história, e que é a metáfora de sua própria vida, a de uma criança perdida cuja base emocional passa a ser agora uma arma na mão.
Nãomeio termo. Para Alê Beijo, nãoum lugar onde se possa estar e, ao mesmo tempo, ser querido. Seu personagem, coberto de um senso de justiça que lhe é constantemente negada, espanca meninos de rua e prostitutas, seqüestra um ônibus, dá lições aos passageiros ao criticar o racismo dos policiais. Trata-se de uma situação que ganha ares surreais, até burlescos. No vidro do ônibus o rapaz de coração partido manda escrever com batom que às 19 horas ele “vai matar geral”. Nem os supostos reféns, a polícia ou o próprio criminoso parecem compreender a gravidade do que ocorre.
Sem tempo para eufemismos, o crime ganha um corpo, uma espécie de refrão desengonçado entre uma sucessão de ruídos e palavras duras fora de compasso. Resta o olhar do criminoso, pasmo, infantil, inocente. De nada sabe, nada lhe é dado a saber. Não se dá conta dos fatos, da multidão de braços e palavrórios, da babel de ações que o envolve, do abraço que quer matá-lo.
São cenas marcantes, alternadas com imagens reaisPanorâmicas do Cristo Redentor e sua beleza tumular, como a nos lembrar do concreto da vida embaixo, transcorrendo normalmente para tantos, ao mesmo tempo em que é interrompida para outros. Pessoas correndo atrás do carro de polícia, personagens e lamentações, televisores arautos da má notícia e comoção geral. Devia ter pena de morte, alguém diz. Matar não adianta, responde a voz ao fundo. Como filmar seriamente uma cena burlesca? Bruno Barreto, o diretor, deixa acontecer do jeito que tem de ser, sem sentido, amadora, frágil, lacunas. As lacunas da vida real, tão falha, tão miserável. O que conta não é o que se conta, mas como. E é estecomoque faz desta uma obra-prima, como pouco se viu no que agora podemos finalmente chamar de cinema brasileiro.

Desfecho conhecido, a pensar se poderia ser evitado. Mas não ignorado. 

Texto revisado em 06/01/2011.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Filosofia oriental? Como assim?

Por que a filosofia oriental não pode ser chamada de filosofia?

Magister Dixi – “o mestre disse”. A expressão latina refere-se à aceitação do que é dito por um superior, sem questionamento. Na Idade Média isso foi bastante comum entre os escolásticos.

Vale, porém, lembrar que os teólogos medievais tratavam de assuntos filosóficos diversos, não exclusivamente de teor teológico. Isso não ocorre nas filosofias não ocidentais, que invariavelmente, reportam a um guru. Por isso, elas não são consideradas filosofia.
P.S.: novas considerações sobre este assunto serão postadas.

Livro: O Exílio e o Reino


Em época de Copa do (i)Mundo, vale indicar a obra O Exílio e o Reino, de Albert Camus. São seis contos que discutem a oposição entre os extremos da chamada “consciência da revolta” camusiana.
De um lado, a solidão, a condição de marginal dos que rejeitam o fluir do mundo, a vida de gado imposta pelos sistemas e poderes que conduzem a dita civilização. A este, anti-herói solitário, arquétipo do universo camusiano, que se recusa a interpretar um papel que lhe é imposto e opta pela sinceridade, o preço a ser pago é o EXÍLIO.
Na outra extremidade, está aquele que se conforma com o papel que lhe é atribuído. Transpondo para nossa realidade, seria o torcedor da seleção brasileira, uniformizado e eufórico. Aquele, cuja história pessoal repousa na história universal. Ação que, na obra de Camus, se aproxima do conceito de felicidade, de REINO.

Independentemente da extremidade que se ocupa, a leitura é recomendada. Destaque para os contos: “A mulher adúltera”, “Os mudos”, “O hóspede” e “Jonas ou o Artista Trabalhando”.



Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de
todas as nações.
O meu país com sua corja de assassinos, covardes,
estupradores e ladrões...
Vamos comemorar feito idiotas,
a cada Fevereiro e Feriado...
é festa da torcida campeã!”
Perfeição - Legião Urbana.

sábado, 26 de junho de 2010

Enquanto isso, na sala de aula...


Versículo da semana:

Jeremias 29.13

"Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração."

A tarde, pra recomeçar...










A tarde, pra recomeçar
O sábado, pra se nascer
.

[Uma crônica tricordiana]
- versão integral -



I



Pela manhã, o casal trocava insultos. A criança de colo chorava. E em nossas mentes a imagem desenhava-se pelos seus sons, e de repente víamos um bebê espernear, como quem quisesse se libertar deste mundo. Por uma família que não mais existe, confissões emolduradas pelo pranto e pedidos para ir embora. Você acabou com a minha vida... acabou...Por favor, vá embora daqui.
Por Deus, dizem os vizinhos. Parem com isso. Alguém podia se machucar, pensou a multidão que se formava. Versões imaginárias do fato, misto de suspeita e curiosidade, necessitando de algum tipo de comprovação.
Ana corre para o telefone, diz que irá chamar a polícia. Tira a mão de mim, grita. Me deixa em paz, inferno. E o mundo deve girar em sua cabeça, como se estivesse acabando. Ela não sabe, mas à tarde irá ver a chuva de sua janela.

Por favor... vá embora daqui... definha em soluços.



II



Uma festa, parece acontecer em algum lugar, disse o olhar do operário. Era Matias na poltrona do ônibus da empresa. E nós estamos aqui, pensou, indo trabalhar. Faltavam-lhe as palavras certas, mas havia o olhar perdido. Praticava um monólogo, próprio dos que enxergam nas entrelinhas. Dizem que o trabalho enobrece o homem. Mas ele sabia que isso era uma grande mentira. Porque amar enobrece o homem. A arte enobrece o homem. Escrever poemas. Correr na chuva enobrece o homem. Louvar a Deus. Passear com as crianças. São coisas possíveis, ainda que em Três Corações, esse lugar, aqui, cheio de estradas.
Tristemente. Esse lugar aqui, cheio de estradas. E placas pedindo pra gente ir embora, como numa súplica. Vá embora, por favor. Vá embora daqui. Mal imagina, a linguagem da estrada, que pessoas irão correr sorrindo, sentindo o vento no rosto, fingindo fugir de um temporal, nesse lugar. Os olhos se fecham. E o suspiro de cansaço transporta um som de prece.

Por favor... vá...


III



Quem sentirá falta de você, quando você se for? Perguntava-se ao voltar pra casa o balconista Gustavo. Apertado entre braços, ombros, e apostilas de um curso vespertino. Observava o sinal de trânsito. Fechado. Aberto. E sobe-se a rua íngreme.
Quem sentirá sua falta? Perdemos muita gente, pensou. Tricordianos, artistas. professores. Todo dia, as agências funerárias, da janela do ônibus, a gente pode ver. Estão cheias de prantos, santos, flores. Lemos os salmos, procuramos saídas e, mais uma vez por hoje sofremos da maneira que o coração fica mais silencioso, aos soluços.
Reparava em como, nestes instantes, os passageiros oscilavam entre pesares e uma sensação de alívio, de a hora dos que ali estão à janela ainda não ter chegado, tal como a daqueles que, no frio salão, são velados. De tudo, o que mais o impressionava, eram as árvores com seu hino de grilos à tarde. Elas existem alheia a tudo isto. Quem teria escrito tal canção?
O veículo acelera e Gustavo segura o corpo. Dali, os exauridos pela jornada de trabalho vêem as nuvens pesadas. E se admiram com a chuva fina, de um canto a outro. Em toda cidade. Pareceu-lhes que, finalmente, como moradores de um local tão pequeno, agora estavam todos juntos. Embalados numa onda tranqüila.




IV



Um amor que passou. Disse só o estudante Pedro com o sorvete na mão. Um amor que passou. Que não era nada daquilo que se pensaria ser. Nem ele. Ou ela. Estranhos numa cidade pequena. Vidas pequenas, assuntos cabiam em mensagens de celular. Num olá. Em uma certidão de nascimento. Lá se lê que um dia nascemos. E pronto. Tudo começou. Uma identidade que é querer saber o que se é. Isso é tudo o que somos. Acenos de olás nas extremidades da praça. Uma tarde quente e um sorriso que não aconteceu. E que talvez quisesse dizer alguma coisa. Talvez adeus. Talvez tudo bem. E estas coisas juntas. Para ambos. Talvez eu não gostasse do que nos tornamos. Ou do que eu havia me tornado, para estar com você, pensou. Um canal que se perdeu como num toque equivocado no controle remoto. Foi-se também aquele dia, lá longe. Tudo bem. Irá dizer. Nesse lugar. Árvores robustas. Nuvens robustas. Chovia tão fino, como fios de cabelos, como os de criança. Uma pétala brincava no asfalto. Aos sábados, tudo era possível nesse asfalto deserto. Outra estrada escapando. Acelerada. Aqui. Não mais aqui.

V
Ana caminha sobre a parte alta da casa. Laje entre antenas. Fios de postes. Lá embaixo. O rio. O prata deslizando nas pedras da parte rasa, o clube dos militares e o lago congelado pelo calor prateado. De modo muito furtivo, ameaçava formar ondas avermelhadas o poente. E as nuvens estavam lá, do outro lado, robustas.
Ana grita por alguém na outra parte do quarteirão. Por Deus ou algum amigo. Em bairros como esse, mesmo o som é sinal de democracia. Talvez chamasse por alguma criança, avisando-a para esconder da chuva, caso ficasse mais forte. Ou por aquelas pessoas anônimas, que com freqüência vemos correndo e sorrindo, sentindo o vento no rosto. Fingindo fugir de um temporal. Certamente alguém lhe acena, imagino. Ao longe.
Então ela desce e brinca com o bebê, adormecido e exalando aromas de óleos e xampus. Nina-o de um lado para outro, com uma cantiga doce e quase triste. É tudo o que tem o agora. Somente. Nada haveria de tão enobrecedor. Um agora como esse.
Da janela, ela observa o batismo da chuva fina. Achou estranhíssimo que essa cortina nublada tomasse quase todo o céu, de uma hora para outra. Estávamos todos perdoados e limpos, deve ter pensado. Todos perdoados e limpos.






Tira-me a luz dos olhos (Rilke)

Tira-me a luz dos olhos - continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos - continuarei a ouvir-te
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.

Arranca-me os braços e tocar-te-ei
Com o meu coração como com uma mão...
Despedaça-me o coração - e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira,
Continuarei a trazer-te no meu sangue


Rainer Maria Rilke

Música: Fox In The Snow









Fox In The Snow
Raposa Na Neve

Fox in the snow, where do you go
Raposa na neve, onde você vai
To find something you could eat
Para achar algo pra comer
Cause word out on the street is you are starving
Porque a palavra na rua é que você está faminta
Dont let yourself go hungry now
Não se deixe ficar com fome agora
Dont let yourself grow cold
Não se deixe ficar com frio
Fox in the snow
Raposa na neve


Girl in the snow, where do you go
Menina na neve, onde você vai
To find someone who will do
Para achar alguém que vá ouvir
To tell someone all the truth before it kills you
Para contar para alguém toda a verdade antes que isso te mate
And listen to your crazy laugh
E escutar sua enlouquecida gargalhada
Before you hang a right
Antes de você se suspender
And disappear from sight.
E desaparecer de vista
What do they know anyway?
O que eles sabem de qualquer forma?
You read it in a book
Você leu isso num livro
What do they know anyway?
O que eles sabem de qualquer forma?
You read it in a book tonight
Você leu isso num livro à noite


Boy on the bike, what are you like
Menino na bicicleta, do que você gosta
As you cycle round the town
quando pedala pela cidade
You’re going up, you’re going down, you’re going nowhere.
Você vai para cima, você vai para baixo, você vai para lugar nenhum
It’s not as if they’re paying you
Não é como se eles estivessem te pagando
It’s not as if it’s fun.
Não é como se isso fosse divertido
At least not anymore
Pelo menos não mais
When your legs are black and blue
Quando sua pernas forem pretas e azuis
Please can you take a break
Por favor, pode dar uma pausa
When your legs are black and blue
Quando suas pernas forem pretas e azuis
Can you take a holiday
Está na hora de um feriado.


Kid in the snow, where do you go, it only happens once a year
Criança na neve, onde você vai, isso só acontece uma vez por ano
It only happens once a lifetime, make the most of it.
Isso só acontece uma vez na vida, aproveite ao máximo.
Second just to being born.
um instante para nascer
Second to dying, too.
um instante para morrer, também
What else would you do
O que mais você faria?
What else would you do
O que mais você faria?
What else would you do
O que mais você faria?
What else would you do
O que mais você faria?


Fox in the snow
Raposa na neve
When your legs looking black and blue
Quando suas pernas parecerem pretas e azuis
Fox in the snow
Raposa na neve
It’s not as if they’re paying you
Não é como se eles estivessem te pagando
Fox in the snow
Raposa na neve
When your legs looking black and blue
Quando suas pernas parecerem pretas e azuis
Fox in the snow
Raposa na neve
It’s not as if they’re paying you
Não é como se eles estivessem te pagando
Fox in the snow
Raposa na neve
Fox in the snow.
Raposa na neve
* From the album: When you're feeling sinister...