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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sábado Tricordiano I





Saia comprida branca,
E aroma de bala de melancia.
Estávamos de frente a um lago.
vendo corredores
no asfalto azul

O que aconteceu com a música?

O tapete da grama se esparramava.


E aquelas nossas músicas inglesas
uma boa combinação para o sábado

e pra você?
Saía o rosto sobre as costas das mãos sobrepostas

E aquelas nossas músicas inglesas


Tudo o que não machuca o ouvido,
eu quero muito.
Toque-me com sua voz
ou blues.

pensamos em voz alta
tudo aquilo de que não gostamos
os vemos
caindo na lava de um vulcão


Um fio verde entre os dentes,
o sumo esparramando entre os dentes
como crianças
anil no céu

Quem de nós insiste mais

em esparramar na grama


quarta-feira, 20 de julho de 2011

E nós olhávamos para as árvores



olhávamos para as árvores

para o quanto as folhas

eram sós


na multidão de palmas

era o vento e mais nada

ou o céu e mais nada

somente nudez



aquelas palavras

atrás

voaram por cintilantes

cintilantes e ainda puros corações


não mais estes nossos


promessas

com pressa

convulsas nos galhos


fome em tempo de colheita.



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Die heat

for Vallery

iremos morrer

pela última vez nesse frio e nesse vento

iremos morrer

abraçados

ouvindo o ranger de portões de madeira, galhos secos e

folhas sob a chuva.


morreremos

mais uma vez sob a nuvem densa

o badalar preguiçoso dos sinos

o barbante dos carretéis e as pipas perdidas


no teu abraço somente reconheço o agasalho

longe do abandono das mesas frias

das praças e os troncos gélidos do domingo à tarde


por mais uma vez

morreremos, quietos na tarde

na densidão da tarde.

sábado, 6 de novembro de 2010

blind alone

Nós não vimos o contorno das montanhas ...
















     E nós não vimos o contorno das montanhas.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O rio






          O rio







o rio é um tipo de respiração

profunda

que mergulha no silêncio de dentro

da gente


queria ou cantar ou assoviar estas notas:

descansa, chuva

desvanece, sol

sábado, 26 de junho de 2010

Tira-me a luz dos olhos (Rilke)

Tira-me a luz dos olhos - continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos - continuarei a ouvir-te
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.

Arranca-me os braços e tocar-te-ei
Com o meu coração como com uma mão...
Despedaça-me o coração - e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira,
Continuarei a trazer-te no meu sangue


Rainer Maria Rilke

sexta-feira, 4 de junho de 2010

ruínas

























[ou poema primeiro]

o tempo e as

músicas daqueles tempos: fumaça do frio na boca na travessia da ponte

leque do rio

luvas e mãos nos bolsos

o mesmo caminho as mesmas ruas os bombardeios: erosão humana

viver e morrer em três corações





































domingo, 30 de maio de 2010

Sunset












Do que tendes a dizer
e que ainda não desvendo

diz-me
todo o tempo
no teu poente lúgubre

e diz
diz
dizer por acabar

o que
em teu todo

é
o que finda
e o que irá ficar

sábado, 22 de maio de 2010

Gramíneo









fica comigo
grama de jardim
sol que arde
poeira, terra, areia

tudo voa mesmo o vento

minhas mãos agarram o chão
escavam até a raiz do domingo

esse é o dia
a folha de papel
o diário
a foto no jornal
antiga e
ainda quente
viva pele

imagens falando
ao corpo pueril
blusa de malha na manhã

queria abraçar este céu.


domingo, 9 de maio de 2010

o rio















e o que se movimenta em


e o que se movimenta em


e o que se movimenta em



em mim


dispara corações

pára os corações

díspares corações


e o que se movimenta em
e o que se movimenta em

expirações audíveis


e tudo mais o que eu não vejo





segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ao M83













Eu não consigo parar

Eu não consigo parar de ...



Eu não consigo parar

Eu não consigo parar de ...



Eu não consigo parar

Eu não consigo parar de ...

sábado, 1 de maio de 2010

assim como à proa do barco em pleno inverno no oceano índico




















tremer de espumas

o velcro da chuva

véu índigo

tarde tão distante como a de invernos passados

incertos intercalados corridos ancestrais artesanais

figuras à mesma mesa do tempo

uma colcha de retalhos com enfeite em uma das bordas

o pôr do sol avermelhado nesse céu anil, véu índigo

tremer com espumas